CONSULTORIA EM SEGURANÇA E
MEIO AMBIENTE

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CONFIABILIDADE

Programa de avaliação e desenvolvimento da cultura de confiabilidade humana, baseado no comportamento.

SEGURANÇA

Gerenciamento dos Riscos ocupacionais e de Processo, com base na avaliação, no controle e no monitoramento.

TREINAMENTO

Treinamento do pessoal operacional ligado a produção, manutenção, engenharia e SMS. Coaching para liderança.

AUDITORIA

Auditoria dos Sistemas Integrados de Gerenciamento de QSMS, PSM, gestão de ativos e Qualidade.

INVESTIGAÇÃO

Investigação de acidentes com várias técnicas e abordagem de falhas humanas e causas básicas.

Antes do leite derramar, de novo.

José Lopes
13/05/2013

Todos os riscos corporativos na sua empresa, são
conhecidos?

Dois recentes e grandes eventos, casualmente no RS, tiveram grande impacto e grandes consequências. O evento da Boate Kiss e a fraude no leite, onde foram contaminados milhões de litros. Ambos tiveram características criminosas. Estes dois grandes episódios nos remetem a uma questão chave: as organizações, independente do tamanho, dos riscos envolvidos, não conhecem ou não sabem analisar ou gerir as ameaças aos seus negócios. No jargão técnico, chamamos isto de ERM – Enterprise Risk Management, ou Gerenciamento dos Riscos Corporativos.

Quando o acidente ocorre trazendo muitas perdas, como diz o velho adágio, não adianta chorar sobre o leite derramado. Mas será mesmo este ditado verdade? Observamos as empresas que evoluíram nas questões envolvendo a confiabilidade industrial, a segurança dos seus processos, dos seus ativos, do meio ambiente onde atuam e dos seus empregados: elas sabem que investigar não basta. Não basta elaborar um relatório técnico e difundir os achados na intranet da empresa. É necessário ter a convicção de se ter aprendido efetivamente com as ocorrências. Principalmente quando são Acontecimentos.

Depois de 1954 as janelas dos aviões passaram a ter os cantos arredondados. Antes elas eram quadradas e os aviões começaram a cair. O avião Comet foi o primeiro e pivô dos desastres. A empresa não suportou a fama ruim. Mas uma decisão foi tomada pelas companhias de aviação na época: ou se descobre o que ocorreu ou não haverá avião civil. Descobriram e resolveram. Este é um dos grandes diferenciais da atividade de aviação comercial e outras tantas: a aprendizagem. A busca da caixa preta do avião da Air France que caiu próximo à costa brasileira não ocorreu por acaso. Era necessário, imprescindível, descobrir o que houve.

Só o tempo dirá se realmente houve aprendizagem com o desastre da boate Kiss e com a mega fraude de leite no RS. O que precisa ser compreendido é que não é a investigação em si que causa a aprendizagem. É o que se faz a partir dela. Manter vivos os chamados pilares do Gerenciamento dos Riscos define se haverá sucesso ou não.

O primeiro pilar – conhecer e avaliar as
ameaças

Nenhum acidente precisa ocorrer, é uma máxima na área de segurança. Isto, contudo, só pode ser verdadeiro se, inicialmente, as ameaças forem determinadas. Perigos podem ser desconhecidos. Se isto ocorrer os riscos consequentemente não serão avaliados. Benzeno, nicotina, amianto, representam riscos hoje. Durante muito tempo os perigos respectivos não eram caracterizados.

Conhecer e avaliar ameaças, o primeiro pilar, requer expertise, disciplina e decisão corporativa. Seguir a legislação é o mínimo que se espera, mas isto não é suficiente. Muitos acidentes têm ocorrido no mundo mesmo após estudos de segurança terem sido feitos. Na década de 70 a Plataforma Piper Alpha afundou no Mar do Norte mantando cerca de 160 pessoas, 100 delas no Centro de Encontro, suposto lugar mais seguro para onde muitos se dirigiram, conforme o treinamento recebido. Enorme aprendizagem surgiu deste desastre. Uma delas foi sobre a qualidade dos estudos de segurança e sua correta difusão. Modelos matemáticos foram revistos e os princípios da disciplina operacional ganharam nova energia.

Greves, sabotagens, erros não intencionais, falhas de componentes, perdas de competências-chave, perda de um cliente importante, chegada de um concorrente de peso, desmotivação da força de trabalho, enfim, outros tantos eventos, devem ser considerados como ameaças. Identificar, controlar e monitorar os riscos e ameaças é imprescindível para os negócios. Tudo começa pela eliminação do desconhecido.

O segundo pilar – o controle dos riscos

Um hacker pode entrar no Sistema da empresa e causar uma grande ruína. Um extintor de incêndio vencido pode deixar de cumprir sua missão e evitar uma tragédia. Dois eventos totalmente diferentes, com grandes impactos. Que barreiras são eficazes para proteger estas duas situações?

Muitos acidentes ocorrem porque as recomendações nos estudos de segurança não são eficazes, ou seja, não reduzem os riscos efetivamente. Quanto vale na redução do risco, por exemplo, a reciclagem de um treinamento, se feito com o mesmo instrutor, com a mesma apostila, com o mesmo discurso, na mesma sala de aula, com a mesma ficha de avaliação? Por que o novo treinamento irá dar certo? Quanto vale uma inspeção? Quanto vale um procedimento escrito? Quanto vale um relé se não for testado de tempos em tempos? Não é necessário, muitas vezes, calcular nada disto, mas muitas equipes que investigam acidentes ou projetam instalações, não param para refletir o quanto o risco foi efetivamente reduzido.

O terceiro pilar – o monitoramento dos riscos
e das ameaças

Em 20 de abril de 2010 a Plataforma Deepwater Horizon ao explodir provocou um enorme acidente ambiental nos Estados Unidos, no Golfo do México. As imagens na televisão do vazamento no poço assustavam. Em outubro do mesmo ano, um Jornal de grande circulação nacional (local) publicou o seguinte: “apenas uma de cada dez inspeções governamentais nas plataformas, não programadas – aquelas feitas de surpresa – estavam sendo realizadas”. Em palavras claras: uma das atividades essenciais ao monitoramento dos riscos – inspeção de terceira parte – não estavam ocorrendo.

É recorrente. Se não houver vigilância sobre as barreiras de proteção às ameaças, estas vão um dia se transformar em perdas. Riscos só inexistem se as ameaças são zeradas. Caso contrário, a probabilidade nunca será zero. Quantos de nós testamos os disjuntores em nossa própria casa, num intervalo de alguns anos?

Inspeções internas na empresa, ou de terceira parte quando requerido, planejadas e organizadas com especialistas no ramo, são elementos essenciais no gerenciamento dos riscos.

E agora, o que vem pela frente?

Não sabemos que evento grave vai ocorrer a frente. Mas sabemos que ocorrerá por falha em um dos três pilares acima. Sabemos que acontecerá porque faltou conhecimento sobre isso tudo, muitas vezes por parte da alta hierarquia da empresa. Aos poucos, estas lacunas vão sendo solucionadas, se não totalmente, pelo menos em parte, na medida em que o paradigma da aprendizagem vai tomando conta das nossas empresas, organizações públicas e privadas, e das nossas próprias casas.

 

Eng. Dr. Jose L. Lopes Alves

Interface Consultoria

www.interface-hs.com.br